
Riachao.com - O que te levou a escrever?
Iracema - Eu acredito que a maior influencia foi com Eutália e Dagmar. Meu tio Bá também trazia muita coisa que eu lia. Eu fazia da leitura uma paixão. Mas não pensava
Riachao.com - O que você espera de quem lê seus livros?
Cada pessoa tem sua opinião. Não tenho pretensões. Eu me preocupo muito com os jovens, para que eles leiam, para que eles gostem. Procuro fazer livros menores, pois livros grandes não estimulam muito a leitura e pouca gente se dispõe a fazer. O Ministério da Cultura aprova fazer livros pequenos. Eu gostaria de alcançar os jovens e divulgar a cidade. Hoje está muito difícil atrair as pessoas para Riachão. Até as estradas estão ruins. Temos que chamar as pessoas e falar de Riachão é muito importante para que isso aconteça.
Riachao.com – O que dizem as pessoas que não conhecem a cidade? Quando visitam ou quando a conhece pelos seus livros.
Quem vem gosta normalmente. As pessoas acham diferente, a cultura é diferente. Mas como cidade é comum, é normal. Acho que as cidades deveriam mostrar um pouco delas, mostrar sua vegetação fazendo jardins com suas árvores, plantas e flores. Em Cuiabá quando estive por lá, se plantava na cidade muita manga, caju, pois era o que se tinha nas fazendas.
Riachao.com – Você se acha mais madura quanto escritora?
Eu me acho sim. Quando eu era moça queria ser igual à Raquel de Queiroz e outras. Mas chegou uma hora que eu vi que não era isso. Meu desejo era de transmitir o que sinto, o que vi, tudo isso é importante para quem lê. Quando eu quis vim mostrar os livros, o propósito era só de incentivar e não de me apresentar como escritora.
Riachao.com – Qual livro você mais gosta?
É difícil dizer. Livro é como filho: tem o período de gestação aonde ele vai se formando, até o nascimento mesmo. Daí você percebe uma unha torta, um dedo torto e nas pequenas coisas você tenta consertar. E você tem todo um carinho com ele também. Como um filho.
Várias pessoas me ajudaram nesses últimos trabalhos. Eu só tentava contar casos engraçados que aconteceram por aqui. Precisa-se dessas coisas para saber onde se vive. Para mim é importante divulgar minha terra.
Então com os dados que essas pessoas levantaram, eu mesclei com o que sabia. Na verdade esses livros eu gostaria de ter distribuído de graça. Como eu não consegui, fiz a preço de custo.
Riachao.com – Você conhece outros autores daqui?
Conheço Miguel, ele escreve também. É muito inteligente, escreve muito bem. A filha de Dr. Pedro também escreve. Acho que o poder público deveria incentivar mais e fazer concursos para os jovens.
Riachao.com – Você influenciou alguém a escrever?
Não conheço. Sei que tenho trazido alegria as pessoas através do que elas lêem sobre Riachão. Sempre quando lia, eu imaginava que também poderia escrever. Cada pessoa que escreve na verdade quer encontrar um pouco de si.
Riachao.com – Quando você volta à cidade, qual sensação que você tem? Em relação a tudo: valores, mentalidade, progressos...
Fico triste. Poderia ser feita muita coisa e ninguém faz. Preocupo-me quando vejo muitos lugares que se poderia pôr mais verde e se põe mais cinza. Já pleiteei duas bibliotecas e ninguém teve interesse de buscar.
Riachao.com – Você tem planos em relação à cidade? Algum projeto?
Eu presido há seis anos uma organização - a BEC - e estou querendo abrir aqui também. Lá onde vivo,
Riachao.com – Qual diferença entre esse Riachão e o seu?
Era muito mais tranqüilo, todo mundo se conhecia... O primeiro caso de violência que ocorreu aqui eu já tinha 18 anos. E hoje está tudo mais violento, não só Riachão, mas todo o resto. Nossos administradores se resumiam aqui e continuam. Acredito que precisam sair um pouco de dentro do Nordeste e encontrar coisas que melhorem a qualidade de vida da população.
Riachao.com – O que você espera das palestras?
Espero conseguir transmitir o que quero. Gostaria de mostrar que uma pessoa que nasce aqui pode ter asas e pode também querer e fazer. Nesses 50 anos que fiquei longe, na verdade nunca me afastei. Sempre estou contando histórias, sempre fazendo questão de falar de onde eu sou, como é por aqui, e todos que me conhecem, também conhecem Riachão. E fiquei longe só fisicamente.
Você conhece quando há muita coisa que se pode melhorar. Temos que contribuir. Nessas horas traçamos um paralelo das nossas vidas para saber se valeu a pena.