Mundial de boxe está próximo

Por Leandro C. S. Matos
Publicada em 05 de October de 2007 às 14h24

Pedro Lima se prepara, dificuldades continuam.

Pedro Lima

O Campeonato Mundial de boxe começa no dia 23 de outubro, na cidade de Chicago, EUA. E enquanto boa parte da equipe que representará o Brasil na competição treina em Santo André, dois dos melhores pugilistas do país na atualidade estão bem distantes, na Bahia.

Everton Lopes e Pedro Lima, baianos, treinam mais perto de casa por motivos técnicos, mas também por conta das dificuldades financeiras. Segundo Luís Dória, treinador de ambos, tanto o peso leve (até 60 kg) Everton quanto o meio-médio (até 69 kg) Pedro recebem uma ajuda de custo irrisória do COB e da Confederação Brasileira de Boxe.

“A gente trabalha tanto no Pan e não vê resultado. São atletas pan-americanos, atletas olímpicos ganhando R$ 1200 por mês”, revelou Luís, técnico não-remunerado da dupla, em contato telefônico com a reportagem da Gazeta Esportiva.Net.

Medalha de ouro no Pan (a primeira desde os Jogos de São Paulo, em 67), Pedro foi o maior beneficiado com a campanha no Rio de Janeiro, vendo sua verba mensal subir de R$ 800 para R$ 1200. Everton, que chegou à final de sua categoria, mas ficou com a prata, recebe R$ 1000.

O treinador lamenta que a falta de auxílio por parte das entidades reguladoras do boxe no país obriguem os dois pugilistas a restringir a preparação para os principais torneios. Segundo Dória, igualmente ex-lutador, todo o trabalho dos técnicos é feito “por amor ao esporte e pelo país”.

“Vamos para o Mundial com as mesmas dificuldades, os mesmos sparrings”, adiciona o técnico, pouco animado com o cenário atual da modalidade no país. “Lutar em condição de igualdade com países que têm a estrutura dos EUA é chato para a gente”, complementa.

Mesmo assim, o treinador não desanima e acredita que toda a equipe – incluindo os jovens Everton, de 18 anos, e Pedro, de 23 – possa voltar de Chicago com bons resultados na bagagem. A principal credencial para isso é exatamente a campanha conquistado no Pan do Rio, com as mesmas dificuldades.

“Eles sabem que não conseguimos nada. Nosso objetivo é a medalha olímpica”, garante o treinador, otimista. “Todo o nosso trabalho visa o melhor resultado. Potencial tático e técnico, nós temos. Posso prometer que vamos lutar de igual para igual com os outros países”, completa.

Mesmo assim, Luís Dória reconhece que os treinos distantes do restante do time não ajudam. “A equipe reunida treina mais forte, mas o pessoal está em casa. Está mais acostumado com o treino, com o clima”, diz, antes de refletir. “Se o grupo estivesse unidos, estaria mais forte.”

Fonte: Gazeta Esportiva.Net