CARTA ESCREITA NO ANO 2070
Por Elisane
Publicada em 13 de November de 2005 às 14h05
Ano 2070.
Acabo de completar 50 anos, mas a minha aparência é de alguém de 85.
Tenho sérios problemas renais porque bebo pouca água. Creio que me
resta pouco tempo. Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta
sociedade. Recordo quando tinha 5 anos. Tudo era muito diferente. Havia
muitas árvores nos parques. As casas tinham bonitos jardins e eu podia
desfrutar de um banho de chuveiro por aproximadamente uma hora. Agora
usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele. Antes, todas as
mulheres mostravam as suas formosas cabeleiras. Agora, raspamos a
cabeça para mantê-la limpa sem água. Antes, meu pai lavava o carro com
a água que saía de uma mangueira. Hoje os meninos não acreditam que
utilizávamos a água dessa forma. Recordo que havia muitos anúncios que
diziam para CUIDAR DA ÁGUA, só que ninguém lhes dava atenção.
Pensávamos que a água jamais poderia terminar. Agora, todos os rios,
barragens, lagoas e mantos aqüíferos estão irreversivelmente
contaminados ou esgotados. Imensos desertos constituem a paisagem que
nos rodeia por todos os lados.
As infecções gastrintestinais,
enfermidades da pele e das vias urinárias são as principais causas de
morte. A indústria está paralisada e o desemprego é dramático.
As fábricas dessalinizadoras são as principais fontes de emprego e
pagam os empregados com água potável em vez de salário. Os assaltos por
um bujão de água são comuns nas ruas desertas. A comida é 80%
sintética. Antes, a quantidade de água indicada como ideal para se
beber era oito copos por dia, por pessoa adulta. Hoje só posso beber
meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a
quantidade de lixo. Tivemos que voltar a usar as fossas sépticas como
no século passado porque a rede de esgoto não funciona mais por falta
de água. A aparência da população é horrorosa: corpos desfalecidos,
enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios
ultravioletas que já não têm a capa de ozônio que os filtrava na
atmosfera. Com o ressecamento da pele, uma jovem de 20 anos parece ter
40. Os cientistas investigam, mas não há solução possível. Não se pode
fabricar água, o oxigênio também está degradado por falta de árvores, o
que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações. Alterou-se a
morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos. Como conseqüência,
há muitas crianças insuficiências, mutações e deformações. O governo
até nos cobra pelo ar que respiramos: 137 m3 por dia por habitante
adulto. Quem não pode pagar é retirado das "zonas ventiladas", que
estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam com
energia solar. Não são de boa qualidade, mas se pode respirar. A idade
média é de 35 anos. Em alguns países restam manchas de vegetação com o
seu respectivo rio que é fortemente vigiado pelo exército. A água
tornou-se um tesouro muito cobiçado, mais do que o ouro ou os
diamantes. Aqui não há árvores porque quase nunca chove. E quando chega
a ocorrer uma precipitação, é de chuva ácida. As estações do ano foram
severamente transformadas pelas provas atômicas e pela poluição das
indústria do século XX. Advertiam que era preciso cuidar do meio
ambiente, mas ninguém fez caso. Quando a minha filha me pede que lhe
fale de quando era jovem, descrevo o quão bonito eram os bosques. Lhe
falo da chuva e das flores, do agradável que era tomar banho e poder
pescar nos rios e barragens, beber toda a água que quisesse O quanto
nós éramos saudáveis! Ela pergunta-me: - Papai! Por que a água acabou?
Então, sinto um nó na garganta! Não posso deixar de me sentir culpado
porque pertenço à geração que acabou de destruir o meio ambiente, sem
prestar atenção a tantos avisos. Agora, nossos filhos pagam um alto
preço... Sinceramente, creio que a vida na terra já não será possível
dentro de muito pouco tempo porque a destruição do meio ambiente chegou
a um ponto irreversível. Como gostaria de voltar atrás e fazer com que
toda a humanidade compreenda isto... ...enquanto ainda é possível fazer algo para salvar o nosso planeta Terra!
Autor do Slide: Ria Ellwanger riaellw@globo.com
Texto: publicado na revista "Crónicas de los Tiempos“, de Abril de 2002.
TENHO ESTA MENSAGEM EM SLIDE, SE ALGUÉM SE INTERESSAR ENTRE EM CONTATO, POIS TEREI UM ANORME PRAZER DE ENVIA-LA