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Ninguém está fora da política

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Publicada em 16 de June de 2005 às 14h51

Imagine alguém se afogando. Você poderia pegar um barquinho e salvar a pessoa. Mas em vez disso, prefere cruzar os braços e dizer: “Sou neutro, não estou nem do lado da pessoa, nem da água”.
Curiosa a sua “neutralidade”: por causa dela, um ser humano morreu. Será mesmo que você foi neutro? Ou foi culpado pela morte da pessoa, já que poderia salvá-la, mas não o fez? Talvez você me ache “radical”, mas o sujeito que engoliu água até estourar os pulmões provavelmente não pensasse assim...
Omitir-se, não fazer nada, é concordar com o que está acontecendo. Se o Brasil tem injustiças e você nada faz para acabar com elas, então você também é culpado por elas permanecerem. Cruzar os braços e dizer “apolítico” é e claramente uma postura política. É a opinião política do omisso.
Ser “apolítico” é a pior maneira de fazer política. É agir como o boi que caminha na fila para o matadouro, olha para o boi na sua frente, que é próximo a ser abatido antes dele, e muge: “Problema dele se vai para o açougue, eu não tenho nada a ver com isso”,
Este texto é de Mário Schmidt


Dá só uma olhada nesse poema de Bertolt Brecht:

O Analfabeto político

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve,
não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe,
da farinha, do aluguel,
da sapato, e do remédio,
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
é tão ignorante (Burro) que se orgulha e
estufa o peito dizendo
que odeia política.
Não sabe o imbecil que
da sua ignorância política
nasce a prostituta,
o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos
que é o político vigarista,
pilantra e corrupto
e lacaio dos exploradores do povo.