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Publicada em 26 de April de 2005 às 16h15
19/04/05 10:16 (Fonte: Reuters)
Vírus Marburg leva angolanos a evitarem abraços e apertos de mão
Por Peter Apps e Zoe Eisenstein
UIGE, Angola (Reuters) - Saudações e reverências tomaram o lugar de apertos de mão e abraços no norte de Angola, enquanto médicos e enfermeiros lutam contra uma epidemia de um vírus mortal que já matou 237 pessoas e deixou vítimas com medo demais para ir ao hospital.
Em Uige, que está no centro da epidemia de Marburg em Angola, soldados com roupas de proteção brancas descontaminaram as casas de vítimas na terça-feira, e organizações de ajuda dizem temer que cada caso possa ter provocado a contaminação de outras pessoas em sua própria residência.
Inicialmente crianças morreram, mas agora suas mães estão formando um crescente número entre os mortos.
A doença -- transmitida por meio de fluidos corporais incluindo sangue, suor e saliva -- matou 90 por cento das 261 pessoas com infecção detectada, segundo disse o Ministério da Saúde na segunda-feira.
A maioria das vítimas eram de Uige, cerca de 300 km ao norte da capital, Luanda, mas alguns casos foram relatados entre pessoas que haviam passado recentemente pela região.
"É uma doença horrível. Você sangra por todos os orifícios", disse Patricia Cervantes, responsável pela comunicação do Unicef. "Famílias morreram dentro de casa com suas portas trancadas."
A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que os sintomas do Marburg normalmente começam com fortes dores de cabeça, dores musculares e febre, seguidos de vômitos, diarréia e hemorragia interna. As mortes ocorrem normalmente entre 8 e 9 dias após o início dos sintomas, usualmente precedidas de graves perdas de sangue e colapso.
O governo disse que a doença estava sob controle, mas a OMS diz que ela ainda não está contida em Uige. Organizações dizem que ainda é muito cedo para dizer se as mensagens sobre como prevenir a disseminação do vírus estavam chegando à população local.
"Ainda é difícil ter alguma conclusão sobre a reação da comunidade", disse o porta-voz dos Médicos Sem Fronteiras, Aloig Hug, na sede da organização, onde -- assim como em outras partes de Uige -- os funcionários evitam apertos de mão. Trabalhadores de ajuda dizem que os moradores os cumprimentam com saudações e reverências.
Convencer as famílias a levar os doentes para uma recém aberta enfermaria isolada, onde os funcionários usam roupas de proteção, é considerado como chave para interromper a cadeia de infecção, com os pacientes nos estágios finais da doença em seu período mais infeccioso.
Mas a maioria das vítimas permanece longe, temendo tanto a reputação do hospital como centro da epidemia de Marburg quanto os cuidados incomuns que os médicos precisam tomar.
Os preços de combustíveis, cartões de telefone e outros produtos aumentaram após comerciantes começarem a evitar a região. Mas o pânico que seguiu os primeiros casos estava diminuindo, segundo os moradores.
Enviado por: Charles Castro