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TEXTO ESCRITO EM BAIANÊS.

Por » @$ON$O «
Publicada em 16 de July de 2003 às 14h33

Saudosa Baêa!

Aí galera,

Esse emelho é de Claudinei, mas aqui é Jonilso que tá falano. É porque eu não tenho emelho aí ele me liberô pra escrevê no dele.

E eu quero falá é sobre isso mermo: emelho.

A parada é o seguinte:

Ôto dia eu tava procurano um serviço no jornal aí eu vi lá uma vaga na
loja de computadô, aí eu fui vê lá, colé de mermo.
Botei uma rôpa irada que eu tenho, joguei meu Mizuno e fui lá,a porra.
Aí eu cheguei lá, fiz a ficha que a mulé me deu e fiquei lá esperano.
Nêgo de gravata e as porra eu só "nada... tô cumeno nada!".
Aí, eu tô lá sentado, pá, aí a mulé me chama pa entrevista, lá na sala
dela.

Mulé boa da porra! Entrei na sala dela, sentei, pá, aí ela começô: a mulé
perguntano coisa como a porra, seu sabia fazê coisa como a porra e eu
só..."sim sinhora, que eu já trabalhei nisso já", jogano 171 da porra na
mulé e ela cumeno, a porra! Aí ela parô assim, olhô pra ficha e mim
perguntô mermo assim: "você mora aí, é ?", aí eu disse "é.".
Só que eu nun sô minino, botei o endereço de um camarado meu e o telefone,
que eu já tinha dado a idéa já pra ele se ela ligasse pá ele dizê que eu sô
irmão dele e que eu tinha saído, pra ela deixá recado, que aí era o tempo
dele ligá pro orelhão do bar lá da rua e falá comigo ou deixá o recado que
a galera lá dá. Eu nun vô dá meu endereço que eu moro ni uma bocada da
porra!

Aí a mulé vai pensá o que? Vai pensá que eu sô vagabundo tomém, né pai...

Nada! Aí, tá, a mulé só perguntano e eu jogando um "h" da porra na mulé, e
ela gostano vú... se abrino toda...
mulé boa da porra! Aí ela mim disse mermo assim: "ói, mim dê seu emelho
que aí quando fô pra lhe chamá...- a mulé já ía me chamá já - ...quando fô
pra lhe chamá, eu lhe mando um emelho."Aí eu digo "porra... e agora ?". Aí
eu disse a ela mermo assim "ói, eu vou lhe dá o emelho de um vizinho meu
pra sinhora, que ele tem computadô, aí ele mim avisa".

Mintira da porra, que o cara mora longe como a porra e o computadô é lá do
trabalho dele, aí ele ía tê que mim avisá pelo telefone lá da rua.

Aí, depois quando eu disse isso, a mulé empenô. Sem mintira niua, ela me
disse mermo assim: "aí, não: como é que você qué trabalhá na loja de
computadô e não tem emelho?" Aí ela bateu no meu ombro assim e disse "Ói,
hoje em dia, quem num tem emelho, ximba!", falô mermo assim, véi, a
miserave da mulé.

Miserave! Mas aí, eu ía fazê o que, véi?

Aí uns dias depois eu acabei conseguino um selviço de ajudante de predero:
um pau da porra! Eu pego 7 hora da manhã e leva direto, a porra, de 7 a 7,
aí meio dia para pra almuçá, comida fêa da porra, e acabô o almoço nun
discansa não, volta digo, é como a mulé disse:
"quem nun tem emelho, ximba!".
É isso aí.
Os cara que nun recebero esse emelho vai ximbá, na moral mermo, dá um pau
da porra, quando chegá fim de mês, recebê uma merreca.

Agora pra você que recebeu esse emelho, eu vô lhe dá a idéa, ói, vá lá na
loja que ainda tem a vaga! Já fui!

Esse emelho é de Claudinei, mas aqui é Jonilso que tá falano.

Valeu!

Jonilso.