
Uma realidade imaginária?
Data: Friday, May 30 @ 23:53:20 BRT Tópico: Tecnologia
Qualquer coisa pode ser um processador.
Jogue uma moeda para o alto e você terá um tipo de informação- cara ou coroa- que poderá ser traduzida de infinitas formas: ganhar ou não ganhar, sim ou não, zero ou um, existir ou não existir.Cada opção é igual ao tipo mínimo de informação utilizada pelos computadores- os bits- e, ao modificá-la, podemos dizer que a moeda está processando dados.
Agora imagine o movimento de cada átomo que existe no Universo. Ele também se desloca no espaço, oscila entre um número de estados possíveis e, dessa forma, funciona como um processador.Tudo o que existe no Universo segue essa lógica.Você e a revista á sua frente, só por existirem, por evoluírem com o tempo, estão processando informação.O universo é, na verdade, um enorme computador.
O físico John Archibald Wheeler, criador do termo buraco negro, pesquisou idéias como essas ao longo dos anos 80 e concluiu que, em um nível ainda mais básico do que quarks, múons é as menores partículas que conhecemos, a matéria era composta por bits. “ Cada partícula, cada campo de força e até mesmo o espaço-tempo derivam suas funções, seu sentido e sua existência de escolhas binárias, de bits.O que chamamos de realidade surge em última análise de questões como sim/não”, afirmou Wheeler em uma palestra feita em 1989. È como se, em um determinado nível, a matéria se tornasse tão pequena que tudo o que sobra é a informação.“A teoria descreve fenômenos tão básicos que talvez nem seja possível um dia testá-la, mas existem pesquisas muito sérias sendo feitas nessa área”, afirma o físico Paulo Teotônio Sobrinho, da Universidade de São Paulo.
A teoria deu origem á ciência da física digital, que possui uma maneira bem peculiar de descrever os fenômenos.Quando, por exemplo, um átomo de oxigênio se junta a dois de hidrogênio para formar água, é como se cada um usasse as questões do tipo sim/não para avaliar todos os possíveis ângulos entre eles até optar pelo mais adequado. No final, a impressão é que os átomos fizeram uma simulação dos processos físicos.Se tudo for mesmo feito de bits, o Universo poderá ser uma enorme simulação, muitas vezes mais potente que a Matrix. È preciso um enorme poder computatocional para rodar todos esses processos, o que inspira os cientistas a construir computadores quânticos capazes de aproveitar grande parte dessa potência.
Uma questão que surge então é que tipo de programa o Universo estaria rodando. È possível que o software de todas as coisas seja simples, com talvez não mais de quatro instruções repetidas muitas vezes. Quem afirma é Stephen Wolfram, um físico que completou seu doutorado aos 27 anos, criou aos 27 o bem-sucedido Mathematica e se tornou milionário.Dedicou então os 15 últimos anos para desenvolver sua teoria, divulgada no ano passado.
A idéia é simples: faça uma linha de quadrados e pinte um deles de preto.Desenhe outra igual embaixo e , na hora de colorir, invente regras simples, como deixar pretos somente os espaços que tiverem uma outra célula escura na diagonal superior.Repita a operação milhares de vezes. Dependendo do caso, é possível construir imagens de enorme complexidade com apenas três ou quatro regras.
O Universo poderia funcionar da mesma forma, com regras simples elaboradas no início dos tempos, repetidas até gerar as coisas que conhecemos.Assim seríamos apenas padrões interagindo com complexidade.Apesar de ter causado um grande alvoroço, grande parte da comunidade cientifica não está convencida de que a regra de Wolfram seja universal.Portanto, uma Matrix que simulasse todo o nosso Universo com certeza precisaria de um enorme processador.Resta saber se necessitaria de um software sofisticado.
André Luiz
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