Nos mês em que o time do Sport Jacuipense entra em campo pela primeira vez na disputa por uma vaga na Primeira divisão do futebol baiano, o RIACHAO.COM fez uma entrevista com a comissão técnica do time.
O time iniciou os trabalhos físicos desde o dia 26, com jogadores ainda chegando, o grupo está quase fechado. O Preparador Físico Glaiton Vivas, faz testes e avaliações com os atletas e está preocupado com o tempo curto que tem. Mesmo assim tenta fazer um trabalho quase que homogêneo com os atletas, apesar da idade variada, condições de jogo e aspectos físicos diferentes. Ele, que já trabalhou em outras equipes, achou interessante o apoio que a o clube recebe das pessoas da cidade. Além dele, o auxiliar técnico Vaval, treinador da seleção no intermunicipal e o último treinador do Jacuipense, também falou com a gente. Numa pequena entrevista que será colocada mais a frente ele afirmou: “Será um dos campeonatos mais difíceis de todos os tempos”. E para saber como o Jacuipense está se preparando, confira a entrevista com o treinador Merrinho, figura já bastante conhecida na nossa cidade. Que fala de amor, torcida, dedicação e vontade de voltar.
RIACHAO.COM - O que o senhor acha do seu retorno ao jacuipense?
Merrinho - Para mim é uma satisfação muito grande. Porque a gente sempre teve o jacuipense como um filho. Podemos dizer isso porque nós chegamos aqui em 68, era time amador. Depois disputamos o Campeonato do Sisal, ficamos mais um ano e fomos Vice-Campeões do Sisal. Logo em seguida nos profissionalizamos o Jacuipense. Então tudo começou com a gente. Daí vem àquela série de lembranças, pois tudo faz parte da nossa vida. E a gente volta com um contato com um filho, um contato muito feliz, muito alegre. Aqui a cidade sempre nos acolheu bem e estou muito a vontade, muito em casa.
RIACHAO.COM - O que o senhor está achando desse inicio? Está do nível das outras vezes? Recursos para contratar...
Merrinho - Nunca tive dificuldade aqui. Todos os presidentes que trabalhamos aqui nos deram praticamente carta branca para trabalhar. E claro, podado com base no clube, nas suas carências e necessidades, mas mesmo assim sempre tivemos um conjunto muito forte. Eu estou com um fardo muito bom, pesado, mas gostoso. É uma responsabilidade muito grande. A cidade tem a gente como aquela coisa que chegou vai conseguir e isso é bom, isso me motiva, é uma satisfação grande, dá vontade de trabalhar cada vez mais. Mas ao mesmo tempo me preocupa, nem sempre você é capaz. Eu não posso dizer aqui de viva voz para você aqui que eu vou colocar o Jacuipense na primeira divisão. Não vai faltar esforço, dedicação, carinho, amor, tudo isso tem que ter. Agora também depende de sorte também. E se Deus nos permitir como das outras vezes, estaremos na primeira divisão.
RIACHAO.COM - Os jogadores que chegaram são todos indicações suas?
Merrinho - São jogadores que eu conheço. Eu sempre digo: Eu não tenho grupo de jogadores. Eu tenho momento do jogador, momento que a gente treina e a partir daí sabemos das necessidades. São jogadores que uns já trabalharam comigo, outros não, mas sei o comportamento, o perfil que é muito importante. Para nós que conhecemos nossa cidade, nosso povo, o carinho que eles têm. Só que é também um povo desconfiado. Você tem que trazer jogador para aqui que acima de tudo seja profissional. Tem que ser homem. Acho essas coisas muito importantes. Os jogadores que vieram aqui, todos têm nossa indicação. Oxalá possa Deus ajudar que dê certo, e se não der, a gente manda embora.
RIACHAO.COM - O grupo do Jacuipense na Segunda divisão é o grupo mais difícil dos dois?
Merrinho - Eu acho o seguinte: Quem põe time na Segunda divisão e tem pretensão de ganhar o campeonato, não pode escolher nem grupo, nem time. Acho que todos têm as mesmas possibilidades e quem errar menos e estiver mais forte será o campeão. Espero que seja o Jacuipense.
RIACHAO.COM - Então as chances são reais?
Merrinho - São reais e iguais para todos. Se a gente for pôr em termos de nome, nós tivemos agora mesmo a nível de seleção brasileira uma decepção muito grande. Falou-se, se propagou muito antes, que todo mundo era super jogador, era melhor do mundo, era artista, era presepero, era um monte de coisa, era celebridade e na Copa do Mundo você ta vendo lá jogador com 190 anos como o Zidane jogando mais que todo mundo. Então futebol é um negócio complicado. É momento. E a gente espera que seja o momento do Jacuipense.
RIACHAO.COM - Como está sendo a rotina de treinos?
Merrinho - Nós estamos trabalhando. Glaiton, nosso Preparador Físico que é um jovem preparador, vem também com um dinamismo muito grande, com muita vontade, colocando em prática tudo que aprendeu na faculdade. Já trabalhou também em outros clubes e vem fazendo aqui um trabalho de alto nível. De time grande. Temos acompanhado de perto o trabalho dele. Mas infelizmente o tempo é curto. Seria bom se tivéssemos mais tempo para trabalhar a equipe fisicamente para a gente poder dá a cabeça. Eu sempre digo: Preparador Físico dá a perna que eu dou a cabeça. Mas a gente acredita que mesmo com curto espaço de tempo, a gente consiga fazer um time brilhante, um time compacto, um time forte, um time que corra e que dê satisfação a nossa torcida.
RIACHAO.COM - Existe deficiência em alguma posição?
Merrinho - Não, por enquanto não. Por enquanto porque a bola ainda não rolou. A gente só pode dizer “deficiência” quando começar a jogar. É o que eu falo e volto a repetir: Às vezes você contrata um jogador e ele não tem o momento dele, o momento não é aquele. Todos para mim são titulares. Todos para mim têm seu momento. Fizemos um treino na quarta feira passada. Foi muito bom, todos apresentaram um rendimento acima do satisfatório. Esperamos que isso possa crescer ainda mais dentro do nosso trabalho e que eles possam ir até o fim da competição mostrando todo o potencial que eles têm. Mas é muito difícil você dizer que todos terão o mesmo rendimento, pode ser que uns cresçam e outros caiam. Temos um grupo forte justamente por isso.
RIACHAO.COM - Para o jogo do dia 22, o time já está pronto?
Merrinho - Todo bom treinador que chega num clube tem que ter uma equipe. E eu não irei fugir da regra: tenho que dizer que sou bom. A gente tem uma equipe, não vamos divulgar agora, pois ainda é muito cedo, mas não faço mistério. Acho que esse mistério não existe. Esse negócio de treinador entregar equipe antes da partida, isso é loby. A não ser que você tenha contusões. Se você não tem lesão alguma no grupo, não há porque esconder. É isso, tem treinador que faz loby. A gente respeita, mas é mesmo fazer chama com a imprensa.
RIACHAO.COM - O que a torcida pode esperar desse novo Jacuipense?
Merrinho - Eu espero que a torcida venha, como sempre veio. Incentivar como sempre quis o time Jacuipense. Eu tenho tido um contato muito forte com o torcedor na rua. O corpo a corpo, acreditando piamente que possamos fazer um trabalho e que a gente possa colher. O que nós pedimos ao time todo dia numa palestra primeiro é a disciplina, a lealdade, o amor à cidade, amor ao clube, vestir a camisa. É que o futebol hoje ta meio difícil de dizer isso. Muito jogador beijando a camisa de tudo quanto é time. Eu acho que você não pode ter vários amores de uma vez. Você tem que amar de vez em quando ou num certo espaço de tempo. Você vê um jogador: vai pra li, beija camisa, vai pra aqui e beija também. Acho isso meio feio. Sei que existe e respeito. O que a gente pode esperar do Jacuipense em campo é que ele vai correr os 90min atrás da seu objetivo que é o gol.
Obrigado.