
Juiz de Brasília proíbe cobrança de assinatura mensal na telefonia fixa
Data: Tuesday, August 02 @ 13:44:11 BRT Tópico: Tecnologia
Mônica Tavares e Geralda Doca - O Globo
BRASÍLIA - O juiz federal substituto da 2ª Vara de Brasília Charles
Renaud Frazão de Moraes concedeu liminar nesta segunda-feira impedindo
que as concessionárias de telefonia fixa - Telemar, Telefônica e Brasil
Telecom - cobrem assinatura mensal de seus clientes em todas as regiões
do país. Caso elas descumpram a decisão da Justiça, poderão ser
multadas em R$ 100 mil.
O juiz alega que as empresas não podem fazer a cobrança
porque ela "não se traduz em contraprestação por serviço prestado" e as
concessionárias devem "se sujeitar aos riscos inerentes à atividade
empresarial, remunerando-se pela cobrança de tarifas do usuário".
O juiz determina ainda que a Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel) tome providências para que as empresas
suspendam a cobrança da assinatura. A assessoria da agência informou
que a Anatel somente vai se pronunciar na Justiça. O juiz informou
ainda que a Anatel destaca no processo que a assinatura mensal é usada
para a "manutenção de toda a rede de telefones, decorrente da
instalação de um terminal individual para cada usuário."
Na ação, o Instituto Nacional de Defesa do Consumidor
(Inadec) afirma que a Anatel não tem poder para cobrar a assinatura
básica se não tiver amparo legal. Diz ainda que os contratos de
concessão, assinados pelas concessionárias, não são juridicamente
perfeitos. Os contratos foram assinados em junho de 1997, um ano antes
de as empresas serem privatizadas, com o objetivo de dar garantia aos
investidores.
Para o deputado Celso Russomano, não é o consumidor quem
vai pagar a conta se o governo errou. Ele disse que as empresas de
telefonia faturam R$ 2 bilhões por mês com a assinatura mensal. Ele
disse ainda que a devolução do dinheiro da cobrança da assinatura
mensal é cabível, e em dobro, mas que não está pedindo isto. Já existe
na Câmara uma comissão especial que estuda o fim da cobrança da
assinatura especial.
O presidente da Associação Brasileira das Prestadoras de
Serviço Telefônico Comutado (Abrafix), José Fernandes Pauletti, disse
que ainda não tinha informações a respeito da suspensão da cobrança,
mas garantiu que as empresas vão recorrer da decisão judicial.
Ele argumentou que a cobrança é legal, está prevista nos
contratos assinados entre as empresas e o governo durante o processo de
privatização, inclusive a estrutura tarifária, que prevê custos fixos e
variáveis. Segundo Pauletti, não adianta fazer discurso populista para
dizer que o preço da assinatura é alto, mas apresentar propostas
concretas para fazer o serviço chegar às familias carentes.
- Está se criando uma má vontade contra as empresas
concessionárias de forma geral e isso não é bom. A menor conseqüência é
o afastamento dos investimentos - disse ele.
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