Produção do Festival de Verão investiga venda de CDs piratas
Data: Monday, January 31 @ 15:32:36 BRST
Tópico: Repórter



A poeira da arena principal do Festival de Verão mal tinha abaixado no Parque de Exposições e os ambulantes já circulavam pelas ruas de Salvador oferecendo Cds e Dvds da festa. A mercadoria pirata produzida em Feira de Santana está sendo vendida por apenas R$ 5. Pelo segundo ano consecutivo os organizadores do Festival de Verão tentam coibir a ação dos piratas de som. De acordo com a diretora artística do evento, Pagana Carvalho, as medidas legais para impedir a ação dos infratores já estão sendo providenciadas. “No ano passado conseguimos apreender alguns cds com o apoio da polícia, mas não descobrimos a fonte de distribuição”, informa. O produtor de disco Ricardo Calvalcanti explica que o método utilizado pelos pirateadores é bem simples e não garante a qualidade técnica do som. “Muitas vezes eles utilizam pequenos gravadores e câmeras para conseguir o som ou gravam o que é transmitido pelas emissoras de rádio e televisão, depois levam para reproduzir”. Ricardo também conta que já ouviu estórias de bastidores que os próprios técnicos de som fazem a gravação para depois piratear, mas nestes casos a qualidade do cd é um pouco melhor.
Pagana garante que a produção técnica do Festival de Verão tomou todas as medidas cabíveis para impedir a reprodução dos shows. Colocaram barreiras técnicas para prejudicar possíveis gravações e nas transmissões de rádio e tv tocaram vinhetas no meio das músicas para inibir a ação dos pirateadores. O Olodum é uma das bandas que participou do evento e aproveitou a estrutura do show para gravar seu primeiro dvd. Nelson Mendes, diretor cultural do grupo, acredita que a pirataria não vá interferir na venda do dvd, que ficará pronto no final do semestre. Mesmo otimista em relação ao lançamento do primeiro dvd, Nelson é contra a pirataria, principalmente para quem faz um trabalho artístico sério como é o caso do Olodum. A banda CPM 22 e a Orquestra Baiana de Axé também aproveitaram a oportunidade para gravação do dvd original.
A pirataria de cds é incentivada pelo alto custo dos originais nas lojas. O preço oficial varia entre R$15 e R$ 40. O cd pirata não ultrapassa os R$10. Ricardo Cavalcanti garante que se não fossem os excessos de impostos, direitos autorais, artísticos, e gastos como frete, divulgação, aluguel de estúdio, entre outros, o valor da fabricação do cd saíria por apenas R$ 3,00. Apesar de ilegal, a pirataria de cds criou um comércio alternativo que incentiva a concorrência.
Ricardo afirma que a ação ostensiva dos pirateadores faz com que os cds cheguem às lojas com preço mais baixo. “As gravadoras tiveram que tomar providências para reduzir os custos”. O último cd produzido por ele, do cantor baiano Eupídio Bastos, chegou às lojas pelo valor de R$12. Com as dificuldades econômicas que a população vive no dia a dia, os fanáticos por som preferem optar pelo cd falsificado.







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