França luta para evitar na Eurocopa o fiasco da Copa de 2002
Data: Sunday, June 13 @ 21:12:09 BRT
Tópico: Futebol


Equipe estréia neste domingo contra a Inglaterra em forma superior à de dois anos atrás

Frédéric Potet
Em Porto, (Portugal)


Os jogadores do time de futebol da França, que se preparam para dar início à sua participação na Eurocopa de 2004, parecem estar numa forma muito melhor do que em 2002, quando viajaram para defender o seu título mundial na Ásia. A estafa havia sido uma das razões principais do fracasso dos "Bleus" (os "Azuis", apelido dado aos jogadores devido à cor do uniforme) por ocasião da Copa do Mundo de 2002, aonde a maioria dos jogadores chegaram esgotados por causa de uma temporada excessivamente carregada nos seus respectivos clubes.

Paradoxalmente, os homens liderados pelo técnico Jacques Santini não jogaram uma quantidade menor de partidas do que os do time do treinador Roger Lemerre ao longo da temporada que precedeu a competição. Contudo, eles souberam distribuir melhor os seus esforços, principalmente no final da temporada.

Para enfrentar a Inglaterra, neste domingo (13/06) em Lisboa, os Bleus não terão, portanto, as pernas tão pesadas como acontecera contra o Senegal, o seu primeiro adversário no Mundial de 2002, que os havia batido por 1 a 0. "Nós temos um grupo que se encontra num estado de saúde muito melhor", resume o médico do time da França, Jean-Marcel Ferret.

Há dois anos, dois jogadores haviam disputado mais de sessenta partidas no decorrer da temporada de 2001-2002: Patrick Vieira (61) e Sylvain Wiltord (61). Robert Pires havia se ferido, dois meses antes do início da competição, o que o obrigara a cancelar a sua participação, enquanto Zinédine Zidane não pudera jogar nas duas primeiras partidas em razão de um rasgão na musculatura da panturrilha que ocorrera uma semana antes da Copa do Mundo.

Hoje, às vésperas da Eurocopa, a situação é praticamente a mesma no plano da estatística, já que dois jogadores, novamente, passaram do limite das sessenta partidas: Thierry Henry (61) e Robert Pires (61). Mas apenas um dos selecionáveis foi forçado a renunciar à sua inclusão na lista dos 23: Ludovic Giuly, atingido na virilha durante a final da Liga dos Campeões entre Mônaco e Porto.

Contudo, a diferença é menos quantitativa do que qualitativa. "O que conta acima de tudo, é a maneira com a qual os jogadores conseguiram gerir o seu final de temporada", indica o doutor Ferret, referindo-se às pesquisas realizadas pelo médico sueco Jan Ekstrand, que, há vários anos vem estudando os vínculos existentes entre cadências de jogos e traumatologias nos jogadores.

"Ekstrand demonstrou que 65% dos jogadores que haviam disputado 13 partidas ao longo das dez semanas que precederam a Copa do Mundo de 2002 tiveram um mau desempenho durante a competição ou se feriram", prossegue o médico da equipe da França.

Por razões que dizem respeito tanto aos acasos do esporte quanto à recordação do naufrágio coreano de 2002, os Bleus relativamente conseguiram se poupar durante a última parte da temporada de 2003-2004. Enquanto a Liga dos Campeões voltou a uma formula menos puxada (uma única fase de classificação em vez de duas), a eliminação prematura de clubes tais como o Arsenal, a Juventus de Turim, o Manchester United ou o Bayern de Munique, aliviou os calendários de muitos jogadores internacionais.

Paralelamente, a maioria dos grandes campeonatos nacionais europeus designou o seu vencedor antes da última jornada, o que permitiu a vários dos Bleus terminar a temporada sem precisar forçar muito. Este foi o caso principalmente dos jogadores do Arsenal.

"Nós podemos dizer que nós conseguimos dosar os nossos esforços durante os quatro últimos jogos do campeonato", admite Thierry Henry. "Eu praticamente não joguei no final da temporada", sublinha Robert Pires. "Arsène Wenger [o técnico do Arsenal] me poupou em previsão da Eurocopa. Há dois anos, quando fiquei machucado, ele havia se sentido um pouco responsável por não ter me deixado respirar..."

Ferimentos "bem vindos"

Não faltaram os Bleus que se feriram no decorrer desta temporada, o que lhes deu uma oportunidade de se poupar. Prejudicado por uma dor recorrente no tornozelo direito, Sylvain Wiltord jogou 34 partidas a menos em 2003-2004 do que em 2001-2002. Willy Sagnol machucou-se em três pontos diferentes (joelho, tornozelo, virilha) no decorrer do mesmo ano. Patrick Vieira, Lilian Thuram, Bixente Lizarazu e Olivier Dacourt também tiveram de pendurar provisoriamente as chuteiras, de modo a recuperar em relação a problemas físicos.

É preciso acrescentar a tudo isso o caso peculiar de jogadores que freqüentaram o banco dos reservas mais vezes do que de costume, o que aconteceu com Marcel Desailly no Chelsea ou com Fabien Barthez no Manchester United, antes da sua transferência para o Olympique de Marselha.

Por fim, vale notar que o calendário de partidas amistosas que foi preparado por Jacques Santini revelou-se menos exigente que o que havia sido imposto aos Bleus em 2001-2002, quando estes haviam sido obrigados a efetuar idas e voltas muito cansativas por contas de partidas no Chile e na Austrália.

Enquanto alguns jogadores reconhecem sem dificuldade terem reduzido o ritmo de sua atividade no final da temporada, outros afirmam não terem mudado em naa os seus hábitos. "Seria ter uma má opinião de nós pensar que nós economizamos os nossos esforços em previsão da Eurocopa. Nós somos pagos pelos clubes", lembra Lilian Thuram.

Uma partida exige que cada um dê o melhor de si. E nunca se deve chegar no local do jogo com o objetivo de querer evitar se machucar. Pois este é o melhor meio de se ferir, o que costuma acontecer justamente a todo jogador que pretende se preservar durante a partida".

Marcel Desailly, o capitão hora sim hora não do Chelsea, também descarta a idéia segundo a qual ele estaria mais disposto fisicamente do que se ele tivesse sido um titular indiscutível no seu clube durante esta temporada: "Os jogadores que jogam regularmente", diz, "podem contar com fases de recuperação entre as partidas, ao passo que os que não jogam, ou muito pouco, precisam trabalhar bem mais durante os treinos para poderem esperar conquistar um lugar entre os titulares do time. Eu não tenho a sensação de estar mais descansado".

Será porque ele teme não ser titular, neste domingo, contra a Inglaterra, que Marcel Desailly vem se mostrando particularmente ativo nesta última semana, durante os treinos? O capitão dos Bleus jogou cerca de trinta partidas, não mais, nesta temporada, e não participou da última partida dos Bleus contra a Ucrânia, em 6 de junho (1 a 0). Estará ele menos cansado que os outros, ou estaria ele sentindo uma falta de ritmo de jogo? Somente Jacques Santini pode responder a esta pergunta.

Primeira Fase

O campeonato da Europa das Nações de 2004 acontece de 12 de junho a 4 de julho. Dez estádios foram construídos ou renovados em Portugal para receberem as 31 partidas da competição: em Aveiro, Braga, Coimbra, Faro-Loulé, Guimarães, Leiria, Lisboa (dois estádios), Porto (dois estádios). 16 seleções são distribuídas em quatro grupos.

  • Grupo A:

  • Espanha, Grécia, Portugal, Rússia.

    Os jogos:
    - Sábado, 12 de junho: Portugal-Grécia (18h), Espanha-Rússia (20h45).
    - Quarta-feira, 16 de junho: Espanha-Grécia (18h), Portugal-Rússia (20h45).
    - Domingo, 20 de junho: Espanha-Portugal (20h45), Grécia-Rússia (20h45).


  • Grupo B:

  • Inglaterra, Croácia, França, Suíça.

    - Domingo, 13 de junho: Croácia-Suíça (18h), Inglaterra-França (20h45).
    - Quinta-feira, 17 de junho: Inglaterra-Suíça (18h), Croácia-França (20h45).
    - Segunda-feira, 21 de junho: França-Suíça (20h45), Inglaterra-Croácia (20h45).


  • Grupo C:

  • Bulgária, Dinamarca, Itália, Suécia.

    - Segunda-feira, 14 de junho: Dinamarca-Itália (18h), Bulgária-Suécia (20h45).
    - Sexta-feira, 18 de junho: Bulgária-Dinamarca (18h), Itália-Suécia (20h45).
    - Terça-feira, 22 de junho: Bulgária-Itália (20h45), Dinamarca-Suécia (20h45).


  • Grupo D

  • Alemanha, Letônia, Holanda, República Tcheca.

    - Terça-feira, 15 de junho: Letônia-República Tcheca (18h), Alemanha-Holanda (20h45).
    - Sábado, 19 de junho: Alemanha-Letônia (18h), Holanda-República Tcheca (20h45).
    - Quarta-feira, 23 de junho: Letônia-Holanda (20h45), Alemanha-República Tcheca (20h45).

    A final de 2000

    Em 2 de julho de 2000, em Roterdã, na Holanda, 51 mil espectadores assistiram à final entre França e Itália. A França venceu por 2 a 1 marcando o gol da vitória na prorrogação, com "morte súbita".





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