O Poder Midiático

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Publicada em 19 de May de 2003 às 21h54

As conseqüências da chegada da Revolução Digital são estabelecidas pelas dificuldades de uma distinção entre o mundo da mídia, o mundo da comunicação de cultura de massas e o mundo da publicidade. O autor defende o estreitamento da distância entre esses três setores, comentando, ao mesmo tempo, a distinção que existia antes, com certa autonomia nas esferas da comunicação, da informação e da cultura de massas.

A Revolução Digital mudou a forma da comunicação, outrora dinâmica e autônoma, para a mescla do texto, do som e da imagem em um só aparelho. A fusão na utilização das máquinas de comunicação como o telefone, a televisão e o computador, além, é claro, da Internet, que nos faz pensar de forma global, inserindo esses diferentes universos num só contexto.

Nesse ambiente, surgem as novas modalidades de empresa, advindas com as megafusões, que trazem uma vocação de conteúdo para administrar em diferentes esferas. Como exemplo, Ramonet cita a fusão da Time Warner com a América On Line, destacando ainda o surgimento da empresa de informação com papel comercial. Por fim, admite que o poder midiático serve como aparato ideológico da globalização que, em outras palavras, significa a padronização de idéias, de trabalho, de costumes, de cultura e entretenimento.

O autor caracteriza a informação hoje de três maneiras: primeiro, como uma mercadoria, onde o discurso não tem a função de educar o cidadão, mas sim o objetivo comercial e do lucro; a segunda característica é a de que a informação tende a alcançar o limite da aceleração e de sensações, sem a preocupação com a qualidade; como terceira característica ele aponta para a tendência da comunicação gratuita. Se antes a empresa vendia a informação ao cidadão, hoje ela vende consumidores aos seus anunciantes.

Diante disso, ele aponta que o discurso hoje é infantilizante, pois possui uma retórica com as mesmas características, o mesmo espaço, a mesma rapidez e o mesmo estilo de dramatização na busca do riso. É um discurso dirigido para crianças, por isso infantilizante. Mas existe uma contradição crescente entre os dois parâmetros. Se por um lado o nível dos meios está cada vez mais vulgar, por outro constata-se que cada vez mais existem pessoas educadas, por isso cada vez mais categorias sociais se sentem insatisfeitas com o discurso infantilizante, pois são capazes de conhecer a verdade, de usar o poder de seletividade e da crítica.

Na verdade, a publicidade só atende aos interesses do consumismo, da utopia, da globalização. A facilidade com que as pessoas se iludem faz da publicidade mentirosa uma mercadoria de segunda categoria virar produto de primeira nas prateleiras. Mas, a Revolução Digital aqui discutida, é apenas mais um componente do rolo copressor da Indústria Cultural.