Conferência da ONU tenta criar nova geografia do comércio
Por Michel Moreira
Publicada em 13 de June de 2004 às 23h12
A 11ª Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) começa domingo em São Paulo com o objetivo de resgatar a agenda de negociações de livre comércio da OMC (Organização Mundial do Comércio) e impulsionar o comércio entre os países em desenvolvimento.
A Unctad reúne a cada quatro anos os ministros do Comércio de 192 países. A conferência acaba sendo praticamente uma rodada de negociações paralela às da OMC, só que entre os países em desenvolvimento.
Para isso, espera resgatar um antigo Sistema Global de Preferências Comerciais (GSTP), que permite reduzir as barreiras ao comércio entre os países em desenvolvimento, sem estender os benefícios aos desenvolvidos.
De acordo com dados da Unctad, uma redução de 30% nas tarifas implicaria um sensível aumento do comércio da ordem de US$ 8,5 bilhões para esses países. Se essa redução chegar a 50%, o ganho pode chegar a US$ 15,5 bilhões.
"A Unctad será conhecida como a reunião da nova geografia do comércio e pode transformar o panorama do comércio mundial", disse o secretário-geral do organismo, Rubens Ricúpero.
A conferência também tentará arrancar dos países industrializados um aumento de concessões para os países em desenvolvimento. A mensagem é: a abertura para o comércio não basta para reduzir a pobreza nos países menos adiantados, são necessários estratégias e investimento para impulsionar o desenvolvimento e um sistema produtivo mais vigoroso.
A conferência acontece neste ano no momento em que os principais países do mundo tentam desbloquear as negociações da OMC, hoje estancadas por conta dos subsídios agrícolas.
Em São Paulo, várias reuniões paralelas do chamado G-20 --o grupo de emergentes liderado pelo Brasil, Índia e África do Sul-- tentam estabelecer estratégias comuns para as negociações da OMC.