EUA precisam de mais soldados no Iraque, dizem analistas
Por Michel Moreira
Publicada em 01 de July de 2003 às 14h53
Por Sue Pleming
WASHINGTON (Reuters) - Dois meses depois de o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ter declarado encerrado os principais combates no Iraque, o país terá de enviar mais soldados para a região e precisará aceitar a ajuda de terceiros para acabar com a resistência e dar início de verdade à reconstrução do país árabe, disseram analistas na terça-feira.
Desde 1o de maio, ao menos 25 militares dos EUA foram mortos em circunstâncias hostis no Iraque, em um conflito que, segundo especialistas, atinge proporções de uma guerra de guerrilha de baixa intensidade. A descrição é rejeitada pelo secretário de Defesa do país, Donald Rumsfeld.
"A guerra ingressou em uma nova e preocupante fase, uma fase de guerrilha. Precisamos nos adaptar", disse o general da reserva Dan Christman, ex-estrategista do Pentágono.
Mais seis soldados foram feridos na terça-feira e uma explosão em uma mesquita, na qual morreram oito pessoas, alimentou ainda mais o ódio dos iraquianos em relação às forças norte-americanas.
Christman e outros analistas para assuntos militares disseram que os EUA precisam se adaptar, aumentando o número de soldados estacionados no Iraque a fim de acabar com os ataques, o que permitiria aos políticos concentrarem-se na reconstrução do país.
Assim, segundo afirmaram, as forças dos EUA poderiam ganhar a confiança da população iraquiana.
"Nossas forças estão muito dispersas e precisamos da ajuda de todos os que estão oferecendo o envio de soldados -- Bangladesh, Paquistão, Índia e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte)", disse o general da reserva.
Segundo Christman, a presença de outras bandeiras aumentaria a credibilidade dos EUA durante a fase crucial de reconstrução.
Um grupo de senadores norte-americanos, que está em Bagdá avaliando a situação, acredita que os combates vão continuar por algum tempo, mas não é unânime quanto à presença de mais soldados.
"A guerra continua, os riscos existem e baixas irão possivelmente acontecer", disse o republicano John Warner, que é o presidente do comitê das Forças Armadas no Senado.
Mas ele descarta o envio de mais tropas -- ao menos por enquanto. "Os soldados estão em número suficiente por agora", disse.
O democrata Joseph Biden disse na semana passada, depois de visitar o Iraque, que para deter os ataques seria necessária uma força internacional com 60 mil homens.